Entre os recuos, a nota do Flamengo desistiu da risível conclusão de que o futebol vai acabar. Aleluia!
Ora, exatamente do clube que se orgulha, com razão, de ser bem administrado e de ter saneado suas finanças, espera-se a rápida substituição do patrocinador máster - e aqui não se faz alusão ao BRB, por desnecessária. Note que o máster, aqui, está com m minúsculo e acentuado.
No correr dos dias que antecederam a Medida Provisória não foram poucos os que argumentaram sobre o risco eleitoral que a ação acarretaria.
Eis que agora argumenta-se com raciocínio inverso: trata-se de medida eleitoral.
Seria bom que resolvessem a contradição, chegassem à conclusão se é medida eleitoral ou prejudicial nas urnas e, principalmente, assumissem a defesa por verem seus patrocínios prejudicados.
Fala-se muito em conflitos de interesses no futebol brasileiro, como o óbvio entre Palmeiras e Vasco, embora ninguém dê bola para o fato de que a mesma Bet que patrocina o Campeonato Brasileiro patrocinar, também, clubes que dele participam, caso da tal Betano e, por coincidência, do Flamengo.
Continua após a publicidadeLembra-se da mulher de César?
O dado objetivo, e indesmentível, é, em regra, ocultado: quem negocia com o crime organizado dele é cúmplice e beneficiário.
Ou é necessário recontar a história da Pix Bet e, em seguida, da Vai de Bet, no Corinthians?
Quanto a ser impossível evitar que apostadores recorram às apostas clandestinas, ou no exterior, de fato preocupações reais e que deverão ser bem resolvidas pelas autoridades, há quem garanta, no governo, que a Anatel está preparada para fazer cumprir a proibição. Veremos.
Por outro lado, o governo não tem ilusões sobre a quão difícil será aprovar a proibição quando a Medida Provisória for submetida ao Congresso Nacional, dada a força da bancada das bets, assim como a da bala, da bola e da Bíblia.
Mas a percepção imediata é a de que a população gostou da proibição e aí o jogo fica mais difícil para os defensores da jogatina.
Continua após a publicidadeNo jantar de Lula com o empresariado ontem, em São Paulo, com cerca de 600 pessoas, a aprovação beirou a unanimidade nas conversas paralelas e nos aplausos quando o presidente se referiu à MP.
O que não impedirá que as empresas de comunicação que têm bets exerçam seu poder lobístico e que as próprias bets invistam pesado em seus influenciadores.
Não será surpresa, por exemplo, se amanhã Galvão Bueno aparecer perguntando: “Pode isso, Ronaldo?”.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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