O ministro dos Negócios Estrangeiros indicou esta quarta-feira que Portugal avaliará "caso a caso" um reforço das sanções da União Eeuropeia (UE) contra o Irão e manifestou "bastante apreensão" com o reinício das hostilidades entre Washington e Teerão.
Novas sanções ao Irão serão avaliadas, diz Paulo Rangel Mariline Alves/Medialivre
Em declarações à Lusa à entrada para a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no condado de Wicklow, na Irlanda, Paulo Rangel foi questionado se Portugal tenciona acompanhar o repto dos Estados Unidos para exercer maior pressão económica sobre o Irão.
Na resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros recordou que Portugal "já tem um regime, que a UE definiu há muito tempo, de sanções relativamente ao Irão". "Qualquer outro movimento pode ser visto caso a caso", indicou.
Questionado se considera que a pressão económica exercida pelos Estados Unidos contribui ou prejudica o regresso à mesa de negociações, Paulo Rangel referiu que "as sanções económicas têm um efeito" e por isso é que a UE as tem aplicado à Rússia e também já as aplicou ao Irão.
"Evidentemente que fazem parte de um conjunto de medidas que visam ser alternativas ao esforço de guerra ou ao conflito militar. Portanto, as sanções económicas têm sentido. Mas temos de olhar para elas uma a uma, em que medida podemos acompanhar ou não algumas destas decisões", reiterou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros manifestou ainda "bastante apreensão" com o reinício das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão, defendendo que "é necessário desescalar".
"Na nossa opinião, é fundamental que as partes possam voltar a uma mesa das negociações e que possa ser reposta a liberdade de navegação, neste momento, no estreito de Ormuz", indicou.
Paulo Rangel alertou que a situação da segurança alimentar no continente africano é neste momento "muito preocupante", devido ao encerramento do estreito de Ormuz e aos ataques russos no mar Negro, e "pode vir a originar uma crise humanitária séria".
"É um ponto que vamos aqui levantar: é a conjugação desses dois condicionamentos, um no mar Negro e outro em Ormuz, e o efeito que isso pode ter em países que necessitem de suplementos alimentares vindos da Ucrânia", referiu.
Na reunião, os ministros vão também discutir a situação na Cisjordânia, numa altura em que vários países, entre os quais Portugal, têm pedido que se suspenda o comércio com os colonatos judaicas e se sancionem os ministros das Finanças, Bezalel Smotrich, e da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, da alta ultranacionalista do Governo israelita.
Interrogado se espera que, após a multiplicação de ataques na Cisjordânia nas últimas semanas e os projetos de expansão de colonatos na região, a UE esteja pronta para tomar novas medidas, Rangel disse esperar que sim.
"Admito que, não só com os parceiros da UE, mas com o Reino Unido, Canadá, Noruega e a Islândia, que também estão aqui presentes nesta reunião, venhamos a acertar algumas posições comuns", indicou.
O ministro sublinhou, contudo, que as sanções na UE "dependem de consenso ou de maioria qualificada" que ainda não foi possível alcançar no que se refere à Cisjordânia.
"Vamos ver se hoje, especialmente perante o chamado plano E1 de expansão e perante alguns dos incidentes muito graves que se têm passado junto de algumas populações palestinianas, se alguns países mudaram de posição e se podemos ter algumas medidas, ainda que de alcance algumas delas simbólicas, mas politicamente muito significativas", disse.
Em agosto, a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que ia isolar economicamente o Irão e advertiu que os aliados que não apoiassem essas medidas estariam contra os Estados Unidos.
A UE saudou esta segunda-feira esses esforços dos Estados Unidos e afirmou estar disponível para adotar novas medidas para salvaguardar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
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