Há quem recorra a termóstatos inteligentes, desligue o ar condicionado antes de sair de casa ou procure outras formas de reduzir o consumo de energia. No entanto, nem todas as estratégias utilizadas para poupar nas despesas de eletricidade produzem o efeito esperado. Pelo contrário, existe um hábito bastante comum que, segundo profissionais especializados em sistemas de climatização, pode acabar por aumentar os custos e até provocar problemas no equipamento.
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Fechar ou tapar as saídas de ar condicionado que existem em determinadas divisões da casa é uma dessas práticas. A lógica parece simples: se uma divisão não está a ser utilizada, fechar a saída de ar impediria o desperdício de energia e permitiria reduzir os custos. O problema é que os sistemas de climatização não funcionam dessa forma e a tentativa de poupança pode resultar em maiores despesas com reparações, assistência técnica e consumo energético.
Randy Huckstadt, técnico de climatização certificado e especialista da JustAnswer, explicou ao HuffPost que esta é uma das situações com que os profissionais mais se deparam. “O principal problema que enfrentamos — e tenho a certeza de que muitas empresas também lidam com ele — são os proprietários que andam pela casa a fechar ou tapar as saídas de ar porque não querem climatizar determinada zona ou divisão e pensam que estão a poupar dinheiro ao fechá-las”, afirmou.
Segundo o especialista, essa decisão não só não permite poupar como pode criar problemas adicionais no sistema. “Fechar a saída de ar vai causar-lhes problemas maiores e não estão a poupar dinheiro”, alertou Huckstadt.
Porque fechar uma saída de ar pode ter o efeito contrário
Os sistemas de climatização são concebidos para distribuir um determinado volume de ar através das várias saídas existentes numa habitação. Quando uma delas é fechada, o ar que deveria circular por esse ponto não desaparece. Como deixa de ter por onde sair, a pressão aumenta dentro do sistema.
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Esse aumento de pressão pode provocar consequências que acabam por pesar na carteira do proprietário. Entre os problemas apontados estão um maior consumo de energia, possíveis danos nas condutas e a alteração do percurso do ar, que pode fazer com que este seja redirecionado para longe das zonas onde é necessário.
Ou seja, aquilo que parece uma medida simples para evitar o arrefecimento de uma divisão pode acabar por comprometer o funcionamento global do sistema. Em vez de reduzir a fatura, a prática pode resultar em custos adicionais, tanto devido ao consumo de energia como à necessidade de recorrer a assistência técnica.
Huckstadt chama ainda a atenção para outro custo que muitas vezes é esquecido: o preço da própria deslocação de um técnico. “É preciso pensar na quantidade de dinheiro que tem de ser cobrada por uma chamada de assistência quando tudo o que fazemos é aparecer e explicar ao proprietário que fechar a saída de ar vai causar problemas maiores e que não está a poupar dinheiro, especialmente agora que tem de pagar por uma chamada de assistência”, explicou.
Assim, uma tentativa de poupança que parece inofensiva pode transformar-se numa despesa bastante superior quando surgem problemas no sistema ou quando é necessário chamar um profissional para explicar o funcionamento correto da instalação.
Há outros erros que podem aumentar os custos
Fechar as saídas de ar não é, contudo, o único comportamento que pode prejudicar o funcionamento de um sistema de ar condicionado. Huckstadt identifica ainda outros erros frequentes entre os proprietários de habitações.
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“Outros erros incluem não mudar os filtros de ar regularmente, não fazer a manutenção regular das unidades e tratar a unidade exterior como se fosse uma mesa de piquenique ou uma bancada de trabalho”, afirmou o especialista.
A falta de manutenção e a utilização inadequada do equipamento podem criar situações em que o técnico, antes de conseguir sequer avaliar o problema mecânico, tem de começar por realizar tarefas básicas de limpeza ou organização.
Huckstadt considera que muitas destas situações estão relacionadas com a perceção que os proprietários têm do valor do serviço que estão a pagar. “Mais uma vez, muito disto resume-se ao valor que é percebido em relação ao dinheiro pago e, quando chegamos ao local e temos de fazer tarefas de limpeza antes de conseguirmos sequer chegar à parte mecânica ou explicar porque é que o sistema não está a funcionar”, afirmou.
Nem sempre uma casa quente significa que o ar condicionado está avariado
Existe ainda um equívoco mais abrangente relacionado com a utilização dos sistemas de climatização: a ideia de que, quando uma casa está demasiado quente, o problema tem necessariamente de estar no equipamento.
Anthony Ferrara, proprietário da empresa de ar condicionado Dang It’s Hot!, na Florida, explica que o sistema de climatização é apenas uma parte da equação. O desempenho térmico de uma habitação depende de vários outros fatores que podem influenciar a quantidade de calor que entra ou permanece no interior.
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“O ar condicionado é apenas uma parte da equação”, afirmou Ferrara, salientando que o isolamento e a ventilação do sótão, as janelas e portas, a exposição solar, as condutas, as fugas de ar, a altura dos tetos e até o facto de os estores ou cortinas permanecerem abertos durante as horas mais quentes do dia podem influenciar a carga térmica da habitação.
Isto significa que o comportamento do equipamento não pode ser analisado isoladamente. Mesmo que o ar condicionado esteja a funcionar corretamente, determinadas características da casa podem dificultar o arrefecimento do espaço.
O que acontece durante períodos de calor extremo
A situação torna-se particularmente evidente durante períodos de temperaturas extremas. Ferrara explica que é frequente um proprietário definir o termóstato para 22 graus e verificar que a temperatura dentro de casa permanece nos 23 ou 24 graus, levando-o a concluir que existe uma avaria.
No entanto, temperaturas exteriores excecionalmente elevadas podem fazer com que um sistema tenha de trabalhar durante muito mais tempo para conseguir atingir a temperatura pretendida. “Durante condições meteorológicas extremas, um sistema pode funcionar durante muito mais tempo e a temperatura interior pode subir alguns graus, mesmo quando o próprio equipamento está a funcionar corretamente”, explicou Ferrara.
Por isso, uma diferença de um ou dois graus em relação à temperatura definida no termóstato não significa necessariamente que exista uma falha no ar condicionado.
A temperatura habitual da casa pode ser uma pista importante
Para perceber se existe realmente um problema no equipamento, Ferrara recomenda avaliar se houve alguma alteração relativamente ao comportamento habitual da habitação.
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“Se a sua casa normalmente mantém os 22 graus em condições exteriores semelhantes e, de repente, já não consegue fazê-lo, isso merece ser investigado”, afirmou o especialista.
O contexto meteorológico também deve, contudo, ser tido em conta. Quando as condições exteriores são excecionalmente severas, a análise não deve limitar-se ao número apresentado no termóstato.
“Durante condições meteorológicas invulgarmente extremas, é preciso olhar para a casa como um todo e para as condições contra as quais o ar condicionado está a trabalhar, e não apenas para o número indicado no termóstato”, explicou Ferrara.
Avaliar o ambiente da própria habitação pode, desta forma, ajudar a evitar chamadas de assistência desnecessárias e contribuir para uma utilização mais eficiente do equipamento.
Uma televisão ou um candeeiro também podem enganar o termóstato
Outro pormenor aparentemente insignificante pode levar o sistema a trabalhar mais do que seria necessário: a localização de fontes de calor junto ao termóstato.
Huckstadt recomenda atenção a situações como colocar um candeeiro, uma televisão ou um computador portátil diretamente por baixo do termóstato, ou permitir que a luz solar incida diretamente sobre o aparelho.
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“Tudo isto cria uma ‘zona falsa’ de calor localizada. O termóstato regista uma temperatura muito mais elevada do que a existente no resto da casa, levando o ar condicionado a funcionar durante ciclos prolongados para arrefecer uma divisão que já está perfeitamente confortável”, explicou.
O princípio é simples: se o termóstato estiver num ponto da casa onde a temperatura é artificialmente mais elevada, o equipamento pode interpretar essa leitura como representativa de toda a habitação. Consequentemente, continuará a trabalhar para atingir uma temperatura que, no restante espaço, já pode ter sido alcançada.
No conjunto, os especialistas defendem que uma utilização eficiente do ar condicionado passa por olhar para mais do que o próprio aparelho. Fechar saídas de ar para tentar poupar, negligenciar os filtros e a manutenção ou ignorar fatores como a exposição solar e a localização do termóstato pode produzir precisamente o resultado contrário ao pretendido: mais consumo, mais desgaste e maiores despesas.