Melissa Taylor Ellison tinha 20 anos quando foi assassinada em 1987. A filha, que na altura era bebé, e as duas irmãs não desistiram de encontram o culpado
O homicídio de Melissa “Missy” Taylor Ellison permaneceu um mistério durante décadas, depois de ela ter sido encontrada morta no seu quarto e a sua filha de 13 meses ter sido deixada a chorar na sala de estar.
Durante anos, Casie Ellison disse que sentia que tinha de se retrair e reprimir os seus sentimentos em relação à morte da mãe. Mas, cerca de 25 anos após o homicídio, essas emoções vieram à tona quando Casie percebeu que a sua própria filha tinha agora a mesma idade que ela tinha quando a mãe morreu.
“Percebi que esta é uma pequena Casie”, conta. “Estava a ver-me a mim própria.”
No passado dia 8 de julho, mais de 38 anos após o homicídio em Jacksonville, na Flórida, o Gabinete do Xerife do Condado de Clay recebeu o telefonema de um homem que queria fornecer informações sobre um caso arquivado.
Gary Glowacz, um homem de 70 anos de Middleburg, Flórida, disse a um sargento do condado de Clay que queria "esclarecer as coisas" sobre a morte de Melissa Ellison, na altura com 20 anos, afirmando que a tinha agredido com um pedaço de madeira quando procurava dinheiro durante um assalto.
De acordo com o relatório da sua prisão, Glowacz disse aos detetives da Unidade de Casos Arquivados do Gabinete do Xerife de Jacksonville que, em março, se tinha deparado com um artigo de jornal que detalhava o caso de Melissa Ellison e percebeu, então, que era o responsável pela sua morte.
Glowacz foi acusado de homicídio em segundo grau e de roubo à mão armada com agressão ou violência física, segundo os documentos da acusação. O seu advogado e o procurador do Ministério Público recusaram-se a comentar. Encontra-se detido sem fiança na prisão do condado de Duval.
De acordo com as autoridades, não tinham sido efetuadas detenções durante a investigação inicial relacionada com o homicídio de Melissa Ellison.
A noite da sua morte
A 28 de dezembro de 1987, Melissa Ellison, conhecida entre a família e os amigos como Missy Taylor, foi encontrada morta no seu quarto pelas suas duas colegas de quarto.
O Instituto Médico-Legal determinou que a morte foi um homicídio e que a causa da morte foi traumatismo craniano provocado por objeto contundente no momento do crime.
De acordo com o relatório da detenção que detalha o interrogatório a que foi submetido, Glowacz disse aos detetives que estava à procura de dinheiro ou de objetos para vender, a fim de comprar drogas. Glowacz morava a apenas 800 metros da casa onde Melissa Ellison residia. Foi detido por suspeita de um roubo distinto no mesmo dia em que ela foi encontrada morta.
Glowacz, que tinha 31 anos na altura, invadiu a casa através de uma janela e entrou no quarto de Melissa Ellison, onde a encontrou deitada na cama com sua filha Casie. Usando um pedaço de madeira que encontrou na casa, bateu-lhe uma vez na cabeça, junto do pescoço, conforme relatou aos detetives. Em seguida, pegou em Casie no colo, colocou-a no sofá da sala e voltou ao quarto para procurar dinheiro debaixo do colchão.
No relatório de detenção, os detetives observaram que Glowacz relatou pormenores da cena do crime que não tinham sido divulgados e que não constavam do artigo que ele tinha lido no início deste ano.
Quando questionado sobre o motivo pelo qual estava a confessar o homicídio décadas mais tarde, ele afirmou que só tomou conhecimento da morte da vítima quando viu o artigo sobre o caso.
Casie Ellison foi a primeira pessoa a quem os detetives ligaram naquela noite, depois de prenderem Glowacz.
“Foi exatamente como eu esperava que fosse, sempre que imaginava que isto pudesse acontencer", conta Casie Ellison.
As tias de Casie Ellison, Glenda Blandford e Sissy Bennett, que tinham 17 e 15 anos, respetivamente, na altura da morte da irmã, foram as duas pessoas seguintes a quem os polícias ligaram.
“No fundo do meu coração, no fundo da minha mente, eu sabia que era isto mesmo. Algo tinha acontecido”, diz Bennett sobre o momento em que recebeu o telefonema.
O caso permaneceu sem solução durante décadas
Blandford e Bennett relatam a dor pela qual a sua família passou após a morte da irmã. Durante anos, os pais seguiram todas as pistas que conseguiam encontrar, levando-as ao Gabinete do Xerife de Jacksonville para que fossem investigadas, mas sem sucesso.
“Levei a minha mãe tantas vezes até ao gabinete do xerife. Vi tudo o que ela passou e tive de ser a mais forte porque… tinha de estar lá para ela enquanto o meu pai continuava a trabalhar”, lembra Blandford. “E assisti a cada desilusão, assisti a cada réstia de esperança.”
Em 2019, a mãe delas, Catherine Taylor, faleceu sem saber o que aconteceu na noite em que a sua filha Melissa foi assassinada.
Um ano antes, um amigo de Bennett apresentou o caso de Melissa Ellison à Project: Cold Case (Projeto: Casos Arquivados), uma organização sem fins lucrativos que presta apoio às famílias de vítimas de homicídios não resolvidos. A organização criou um site dedicado à história dela com toda a informação que a família tinha reunido ao longo dos anos.
Em janeiro de 2026, seis meses antes de Glowacz confessar o homicídio, a Project: Cold Case e a família de Ellison participaram numa conferência de imprensa com a First Coast Crime Stoppers.
“Alguém sabe exatamente o que aconteceu naquela noite. Alguém se lembra de um pormenor que nunca foi revelado”, afirmou Casie Ellison na conferência de imprensa de janeiro. “Alguém tem vivido com este conhecimento há quase quatro décadas. E alguém que esteja a ouvir isto neste momento sabe que isto diz respeito a si.”
Em julho, o Gabinete do Xerife de Jacksonville atribuiu o sucesso da investigação à conferência de imprensa realizada em janeiro, acrescentando que algumas das informações que foram divulgadas contribuíram para a posterior detenção. “Embora esta prisão não possa preencher o enorme vazio deixado nos corações dos entes queridos de Melissa Ellison, espero que esta detenção seja mais um passo no processo de cura”, afirmou o xerife T.K. Waters.
Recordando Missy
Após quase 40 anos sem respostas, esta detenção pode parecer um alívio para a família, mas Blandford, Bennett e Casie Ellison afirmam que ainda não sentem esse alívio.
Tanto Blandford como Bennett dizem que não passa um dia sem que pensem na irmã. Quando Blandford se mudou para a praia há cinco anos, pensou em Missy, que adorava o mar. Ela está imortalizada no Jeep Wrangler roxo “Reign” que Bennett comprou por causa da canção favorita de Missy, “Purple Rain”, de Prince. E continua viva através de Casie Ellison, que agora tem três filhos.
A jornada para a cura continua para a família, enquanto tentam lidar com os novos sentimentos que surgem com os recentes desenvolvimentos. Para Casie Ellison, este caso tem sido toda a sua vida. “Para mim, não houve um ‘antes do incidente’”, diz.
Para a família, a perda foi além da perda de Missy. A família perdeu outros três elementos após a morte dela.
“Não sei se alguma vez será feita justiça oficialmente”, diz Casie Ellison. “Tem havido tantas perdas só devido à dor e à falta de respostas, por este ser um processo tão longo. Acho que, se isto tivesse acontecido mais cedo, especialmente enquanto a minha avó ainda estava viva, e ela tivesse podido ver algum tipo de conclusão para isto ainda em vida, talvez a resposta fosse diferente.”
Antes de saberem da detenção de Glowacz, a família estava a planear uma festa em memória da Missy com todos os seus entes queridos. Blandford diz que a festa continua prevista, mas com uma oração renovada.
“Continuamos a rezar por justiça”, diz Blandford. “Rezamos e imploramos para que Deus lance luz sobre este caso e guie as mãos de todos os detetives… e que este caso tenha a justiça que merece, porque, neste momento, estamos perante uma detenção, não perante justiça.”