O partido de André Ventura considera mesmo que é “fundamental” ouvir Nuno Melo no Parlamento e diz que irá dar entrada de um requerimento nesse sentido.
“Consideramos que é necessário ouvir o senhor ministro”, afirma Nuno Simões de Melo, coordenador do Chega na comissão de Defesa, que levanta dúvidas sobre o processo de compra das três fragatas ao grupo italiano Fincantieri, um investimento no valor de 3,9 mil milhões de euros ao abrigo do instrumento financeiro europeu SAFE.
“O Chega é a favor da modernização das Forças Armadas. O que nós questionamos é a transparência. Porque, uma vez mais, tudo parece ser feito sem esclarecer ninguém.”, defende o deputado do Chega, em declarações à RTP Antena 1.
“Nós não sabemos os moldes concretos em que este contrato com o Estado italiano foi feito. Sabemos que são acordos de Estado a Estado, mas qual é o retorno que vai haver para a indústria?”, questiona Nuno Simões de Melo, que acrescenta: “Como é que é feita a manutenção destes navios? Vai ser feita em Portugal, com ‘know-how’ português, com equipamentos produzidos em Portugal? E o fluxo financeiro - que há uns tempos se falava em cerca de 3 mil milhões e afinal são cerca de 4 mil milhões - porque é que há esta discrepância? Tudo isto são questões que acho que qualquer português gostaria de ver esclarecido”.
O Chega enviou esta segunda-feira um conjunto de questões ao ministério da Defesa e insiste na necessidade de o Governo prestar mais esclarecimentos. “Vão ser enviados um conjunto de questões para o ministério da Defesa. Agora estamos já muito habituados, infelizmente, a que as respostas cheguem tarde e pouco esclarecedoras. Por isso a ida do senhor ministro ao Parlamento é fundamental”, conclui o deputado do Chega.
PS questiona retorno para economia: "Falta de transparência gritante"
Também o Partido Socialista tem insistido no envio de perguntas ao ministério da Defesa e quer saber mais detalhes sobre a aquisição das fragatas, garantindo não colocar em causa a “avaliação técnica” feita pela Marinha.
“Ao nível técnico não há questões que o PS coloque em relação à escolha destas fragatas. Já ao nível político preocupa-nos, em primeira instância, qual vai ser o retorno que este investimento vai ter para a economia portuguesa”, sublinha o deputado socialista Luís Dias, ouvido pela rádio pública.
“É de alguma forma preocupante a falta de envolvimento do Ministério da Economia neste tipo de procedimentos, como também é preocupante a falta de envolvimento que ouvimos sempre não ter existido, por exemplo, com as indústrias de Defesa portuguesas. No mínimo é estranho”, aponta.
"Este programa europeu são 6 mil milhões de euros. Dois terços são para as fragatas. Não termos noção à data de hoje, quando já foram assinados os contratos, quais são as contrapartidas que o país vai ter, é de facto uma falta de transparência que no mínimo é gritante e é preocupante", reafirma o socialista.
O coordenador do PS na comissão de Defesa Nacional insiste na relevância da proposta do partido, já chumbada pelo Parlamento, para a criação de uma comissão “autónoma” para acompanhar as compras realizadas ao abrigo do SAFE.
“Sabemos que é um momento muito importante, em que as decisões têm que ser muito rápidas. Essa transparência não vai acontecer da forma como devia acontecer. Aliás, entendemos que é um erro até estratégico do ministro da Defesa, porque o Parlamento podia dar-lhe, inclusive, uma salvaguarda muito grande, tendo conhecimento de todos os processos que, agora, temos que estar a requerer”, afirma Luís Dias, considerando que foi "estranho" o chumbo da proposta socialista.