A Porsche continua a atravessar um período difícil, pois não só as vendas estão a cair, como os lucros operacionais acompanham este ciclo de perdas, o que é visível depois deste construtor, de que o Grupo VW possui 75%, ter declarado em 2025 uma quebra dos lucros operacionais de 93%, além de uma redução na facturação de 9,5% e um corte nas vendas de 10,1%. A Michael Leiters, o novo CEO que substituiu Oliver Blume aos comandos da Porsche, cabe recuperar o construtor que acumulou lucros durante anos a fio, mas que recentemente parece ter perdido o rumo.
Leiters sentou-se aos comandos do construtor que nos deu o 911, entre outros modelos emblemáticos, apenas em Janeiro de 2026, pelo que tudo o que está para trás não é da sua responsabilidade, pois na altura era CEO da McLaren. Mas ainda que tenha herdado muitos erros do passado (com Blume), os primeiros seis meses de 2026 aos comandos não lhe conferem propriamente um diploma de mérito, com as vendas globais a caírem 16% de Janeiro a Junho e os resultados operacionais a tombarem 11,6%.
O curioso é que a receita anunciada pelo novo CEO para dar a volta ao problema e fazer a marca regressar aos bons resultados, passa por despedir mais 6000 empregados, a juntar aos 3900 que Blume afastou nos últimos tempos como CEO, ainda em 2025. De acordo com a Reuters, o plano de despedimento vai ser apresentado aos trabalhadores na próxima semana, com a responsabilidade dos maus resultados a ser atirada para cima das taxas adicionais no mercado americano e da anemia que ataca o mercado chinês. Mas mais importante do que isso, o problema do 911 foi mais o excesso de rivais chineses, a maioria eléctricos, que ultrapassam folgadamente o 911 em potência e rapidez, apesar de um preço próximo da metade, conjunção de factores que também ajudam a perceber a fuga de potenciais clientes.
A estratégia da Leiters passa igualmente por simplificar a gama, o que pode ser visto como código para anular versões ou até modelos, apostando mais fichas em veículos que garantem margens de lucro superiores, como o 911. Porém, o mais famoso dos Porsche deve a sua margem de lucro a uma cerca exclusividade, que provém do facto de vender apenas cerca de 50 mil unidades por ano, o que só por si não dá para alimentar uma marca.
A outra decisão anunciada por Michael Leiters passa pelo desinvestimento nos veículos eléctricos, mesmo os sucessores do 718 Cayman e Boxster, modelos que já estiveram agendados para lançamento em 2025, tendo depois sido atrasados para 2026 e por fim 2027, até serem postos de lado, bem como todo o dinheiro investido.
Se o 718 eléctrico fez marcha-atrás, já o mesmo não aconteceu com outro projecto da Porsche, conhecido com o nome de código K1, um SUV maior do que o Cayenne e com três filas de bancos, para disponibilizar sete lugares. O futuro K1 será agora construído sobre a Premium Platform Combustion, destinada a montar motores V6 e V8, em vez da Scalable Systems Platform que foi mencionada até aqui e que é dedicada a modelos eléctricos.