A Inspeção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) concluiu que a resposta dada no caso do bebé prematuro que morreu, no Hospital de Leiria, pouco tempo depois de ter nascido numa ambulância a caminho da unidade hospitalar "foi adequada às circunstâncias".
O relatório, divulgado em primeira mão pelo jornal Público e, entretanto, consultado pelo Notícias ao Minuto, sublinha que os dados averiguados "evidenciam uma boa articulação entre os serviços e emergência médica, com bons tempos de resposta" e que no hospital foram "assegurados os cuidados obstétricos, cirúrgicos, psicológicos e sociais considerados necessários".
Ou seja, para a IGAS, a atuação dos profissionais e dos serviços envolvidos no caso do bebé, que tinha uma gestação de 26 semanas, foi a apropriada ao caso.
O caso remonta a 10 de julho de 2025. O alerta chegou ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) às 7h54 e às 8h04 a ambulância dos bombeiros da Nazaré chegou à residência da mulher, localizada na vila de Valado dos Frades.
Perante a “gravidade da situação”, foi também acionada a ambulância de suporte imediato de vida (SIV) de Alcobaça e pedido o apoio da viatura médica de emergência e reanimação (VMER) de Coimbra.
A mulher de 33 anos, "grávida de alto risco", foi assim transportada pelos meios de socorro desde a Nazaré até ao Hospital de Leiria, onde era já acompanhada.
Pelo caminho, deu à luz. "Às 9h10, o parto acabou por ocorrer dentro da ambulância dos bombeiros, a caminho do hospital, com o apoio da equipa de enfermeiros da SIV", dá conta a IGAS, referindo que, seis minutos depois, o CODU foi informado que o bebé, com 800 gramas, "nasceu em paragem cardiorrespiratória".
Iniciaram-se de imediato manobras de reanimação, que foram continuadas pela equipa médica do hospital, onde a ambulância chegou às às 9h27.
Mãe e filho entraram na unidade hospitalar ainda vivos mas, o óbito do prematuro acabou por ser declarado apenas alguns minutos depois, "às 9h45".
Depois de o caso ser noticiado pela comunicação social, a IGAS determinou um processo de esclarecimento para apurar as circunstâncias da morte.
Logo na altura, a unidade local de saúde (ULS) da Região de Leiria garantiu que "foram acionados todos os meios disponíveis" e o INEM assegurou que a atuação "de todos os intervenientes na ocorrência foi a mais adequada".
Já na informação que enviou à IGAS, a ULS da Região de Leiria afirmou que na data da ocorrência a urgência de ginecologia/obstetrícia do Hospital de Leiria encontrava-se "em pleno funcionamento, sem qualquer condicionamento decorrente de encerramento ou limitação de equipas, dispondo da capacidade assistencial necessária para responder à situação clínica apresentada", adiantando que a mulher foi assistida assim que deu entrada e que foi transferida de urgência para o bloco por ter sido identificada a retenção da placenta.
Perante todas as informações obtidas, a IGAS concluiu assim que a resposta dada foi ajustada e determinou o arquivamento do processo de esclarecimento.
"Não foram identificados atrasos na prestação de cuidados, insuficiência de meios, falhas organizacionais ou não conformidades assistenciais susceptíveis de terem influenciado o desfecho clínico observado", ultima o relatório.

Bebé morre após chegar ao Hospital de Leiria. Parto foi em ambulância
Grávida que acionou o INEM às 26 semanas foi levada pelos Bombeiros Voluntários da Nazaré até Leiria. No caminho o bebé nasceu, mas acabou por morrer na chegada ao hospital, que era o de referência.
Notícias ao Minuto | 23:10 - 10/07/2025
Recorde-se que a grávida, na altura com 26 semanas de gestação, entrou em trabalho de parto quando estava em casa, tendo o nascimento ocorrido na ambulância, durante o transporte para o Hospital de Leiria, a cerca de 10 minutos da unidade hospitalar.
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