Olhão, Faro, 22 ago (Lusa) — O secretário-geral do PCP disse hoje que se o PS viabilizar a proposta de Orçamento do Estado para 2027 será “responsável” pela política “desastrosa” do Governo e estará a libertar o Chega “de vir a jogo”.
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“Para que não fiquem meias palavras, se o PS, em nome da sua suposta responsabilidade perante o país — seja lá o que isso for –, se viabilizar esta política e o seu instrumento que é o OE, não só está a ser responsável por esta política mas também está a libertar o Chega de vir a jogo e de apoiar aquilo que o Chega apoia, esta política desastrosa, este caminho desastroso para o povo e para o país”, afirmou Paulo Raimundo durante num jantar-comício em Olhão, no distrito de Faro.
Lembrando que o atual OE “transfere” metade do orçamento do Serviço Nacional de Saúde “para o setor privado”, o líder dos comunistas acrescentou que “a dúvida é saber se o próximo [OE] vai aumentar ainda mais esta fatia”.
“A dúvida é saber se vai manter ou vai acrescentar ainda mais aos 1.900 milhões de euros que dá em benefícios para os chamados residentes não habituais. Se as parcerias público-privadas do próximo Orçamento vão custar aos nossos bolsos mais ou menos do que os 1.500 milhões de euros que já hoje custam aos nossos bolsos”, disse Paulo Raimundo.
“São estas as dúvidas e não outras. Por isso não há a mínima dúvida: quem viabilizar este Orçamento de Estado passa a ter não uma atitude responsável perante o País mas passa a ser também, e mais uma vez, responsável pelo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, pelo ataque à escola pública, pela especulação imobiliária que nos impede de aceder à habitação, pelo ataque aos salários, pelo ataque às reformas, e passa a ser cúmplice da transferência dos fundos públicos para o setor privado”, frisou.
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Paulo Raimundo citou diretamente o PS e desafiou o partido liderado por José Luís Carneiro a não viabilizar a proposta de OE apresentada pelo Governo.
O secretário-geral do PCP recordou que o primeiro-ministro veio à Festa do Pontal, em Quarteira, “multiplicar promessas, vender ilusões e repetir anúncios”, acusando Luís Montenegro de “conversa fiada” sobre o anúncio da aquisição de 13,7% da REN pelo Estado.
“Os custos de eletricidade vão baixar, disse o primeiro-ministro. O que ele tem de nos explicar a todos é porque razão, estando o Estado hoje com 8% do capital da Galp, os combustíveis continuam a aumentar todas as semanas. (…) Aquilo que devia fazer era pegar no capital que o Estado tem na Galp e obrigar a Galp a conter o aumento dos combustíveis”, disse.
O secretário-geral do PCP usou o exemplo do gás de botija “que se vende aqui a 37, 38, 39 ou 40 euros”, mas que “é vendida ali ao lado, em Espanha, por 16 euros”, para exigir ao primeiro-ministro que obrigasse a Galp “a servir a economia portuguesa” e a conter o “esforço que cai em cima” dos portugueses.
A Parpública adquiriu 13,7% da REN à Pontegadea, empresa de investimento da família Ortega, dona da Zara, num negócio que representa o regresso do Estado português ao capital da empresa desde a saída da última participação estatal, em 2014.
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