Ucrânia está a usar arma sueca da década de 1940 para destruir mísseis russos capazes de atingir 500 km/h

Um projétil disparado por um Bofors custa apenas uma fração do preço de um míssil intercetor guiado, permitindo à Ucrânia preservar sistemas mais caros para outras ameaças

A Ucrânia conseguiu abater dois mísseis russos de cruzeiro utilizando canhões antiaéreos Bofors L70, um sistema desenvolvido no final da década de 1940. Os militares da 121.ª Brigada Independente de Defesa Territorial anunciaram que destruíram um míssil S8000 "Banderol" e um Kh-59 com estas armas suecas de 40 milímetros.

A equipa "Chaklun" intercetou um dos projéteis perto de Odessa e, no dia seguinte, a equipa "Hunter" abateu outro nas proximidades de uma segunda cidade do sul do país.

O Banderol é um míssil de cruzeiro equipado com motor a jato, capaz de atingir velocidades entre os 400 e os 500 quilómetros por hora. Esta arma foi desde logo descrita pelo especialista ucraniano Serhii "Flash" Beskrestnov, citado pelo Euromaidan, como demasiado rápida para ser travada pelas equipas móveis armadas com metralhadoras, defendendo que apenas sistemas como o Gepard teriam capacidade para o intercetar.

No entanto, segundo a publicação Defense Express, os recentes abates demonstram que o antigo Bofors L70 continua a ser eficaz, apesar de, além de novos equipamentos de pontaria, continuar a depender essencialmente de mira manual para atingir alvos aéreos.

Os analistas ouvidos pelo Euromaidan destacam também a importância económica deste tipo de defesa. Um projétil disparado por um Bofors custa apenas uma fração do preço de um míssil intercetor guiado, permitindo à Ucrânia preservar sistemas mais caros para outras ameaças.

Esta estratégia integra um modelo mais amplo de defesa aérea, baseado na utilização de drones intercetores, grupos comunitários de combate e armamento de baixo custo sempre que possível. Os canhões Bofors L70 atualmente ao serviço da Ucrânia foram fornecidos pela Lituânia, no âmbito de um pacote de ajuda militar anunciado em 2023, e também pelos Países Baixos.