Zelensky chega à Casa Branca para reunião à porta fechada com Trump

A reunião, prevista para as 14h30 de Lisboa e que não será aberta à imprensa, ocorre numa altura em que a Ucrânia e a Rússia estão a intensificar os seus ataques de longo alcance e os esforços diplomáticos dos Estados Unidos (EUA) estão parados, mais de quatro anos após o início da invasão russa.

"A nossa máxima prioridade é a defesa contra mísseis balísticos", disse o Presidente Volodymyr Zelensky na rede social X, ao anunciar a sua chegada aos EUA.

Segundo a ONU, junho foi o mês mais mortal para civis ucranianos desde abril de 2022, com a Rússia a intensificar os ataques com mísseis balísticos, particularmente difíceis de intercetar, contra cidades e vilas ucranianas.

Apenas os sistemas Patriot norte-americanos são capazes de os abater, mas a Ucrânia necessita de mísseis intercetores PAC-3, uma escassez que se agravou desde a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em fevereiro.

Moscovo pretende aumentar ainda mais os seus ataques, tendo implantado lançadores balísticos adicionais perto da fronteira ucraniana e espera novas entregas deste tipo de armamento da Coreia do Norte em agosto, disse um alto responsável ucraniano à agência francesa AFP.

"É crucial que Washington autorize a compra de um lote de mísseis Patriot", acrescentou.

A fonte ucraniana recusou-se a especificar quantos mísseis Kyiv está a pedir, dizendo apenas que "o suficiente para conseguir intercetar o que [o Presidente russo, Vladimir] Putin está a usar num mês".

"Muito vai depender do humor do Presidente Trump", admitiu o responsável.

Só em julho, Moscovo lançou 120 mísseis balísticos e antinavio de alta velocidade contra a Ucrânia, dos quais apenas 35 foram intercetados, segundo a Força Aérea Ucraniana.

Em comparação, a Rússia disparou entre 250 e 320 mísseis balísticos ao longo de todo o ano de 2024, segundo estimativas de peritos.

As relações entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump têm sido há muito tensas, por vezes tempestuosas, mas o Presidente norte-americano tem mostrado mais complacência em relação ao seu homólogo ucraniano nas últimas semanas.

Os dois homens irão encontrar-se no mesmo dia da homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, fervoroso defensor da Ucrânia, que morreu a 11 de julho aos 71 anos.

Desde o seu regresso ao poder, Donald Trump tem praticamente interrompido as entregas diretas de armas norte-americanas a Kyiv, preferindo o programa PURL (ou Lista de Necessidades Prioritárias da Ucrânia, mecanismo de coordenação da NATO), que permite aos europeus comprá-las e depois transferi-las para a Ucrânia.

Durante uma reunião anterior em Washington, em outubro de 2025, Volodymyr Zelensky não conseguiu convencer Donald Trump a entregar mísseis de cruzeiro Tomahawk à Ucrânia.

Durante um encontro em fevereiro de 2025, os dois Presidentes discutiram em frente às câmaras na Sala Oval, com Donald Trump a acusar Zelensky de ingratidão e de "brincar com a Terceira Guerra Mundial".

O Presidente dos EUA mudou mais tarde de atitude e, por ocasião do seu último encontro no início de julho na Turquia, durante a cimeira da NATO em Ancara, afirmou que o homólogo ucraniano estava a fazer "um trabalho maravilhoso".

Expressou também disponibilidade para permitir que a Ucrânia produza mísseis Patriot.

Após a reunião na Casa Branca e a cerimónia em memória de Lindsey Graham na Catedral de Washington, Volodymyr Zelensky é esperado no Capitólio (sede do Congresso) no final do dia para uma reunião com senadores republicanos e democratas.

O Presidente ucraniano deverá pressionar os legisladores para adotarem um novo pacote de sanções contra a Rússia, que Lindsey Graham defendeu e que Donald Trump aprovou recentemente.

Volodymyr Zelensky falou na semana passada por telefone com os enviados de Donald Trump - Steve Witkoff e Jared Kushner - com o objetivo de "revitalizar a diplomacia".

As relações entre Moscovo e Washington arrefeceram recentemente, após iniciativas dos EUA que resultaram no convite de Trump a Vladimir Putin a deslocar-se ao Alasca para uma cimeira em agosto de 2025.

Durante uma reunião em Manila na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, advertiu o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, contra a continuação das entregas de armas à Ucrânia.

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