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Valia a pena ter ouvido ontem a jornalista Helena Garrido na Rádio Observador a fazer o relato da sua experiência no parlamento, onde assistiu ao debate do Estado da Nação, depois de um ano de ausência daquelas bancadas: o ruído ensurdecedor, os apartes e piadas durante o discurso do PM, as graçolas de bancada para bancada, a desatenção generalizada, a estupefação nas galerias onde não se conseguiam ouvir as intervenções. A descrição não faz justiça àquela algazarra adolescente que é o sinal doentio da falta de elevação e decoro que devia existir na “casa da democracia” onde deputados e ministros, aos gritos, se acusam de mentir, como se mentir ou assobiar fossem práticas acessíveis e comuns no parlamento. As velhas oligarquias da solenidade foram substituídas pelas novas oligarquias da barulheira, do analfabetismo e da agressividade. Num país em que os cidadãos se sentem cada vez mais desprotegidos, o parlamento dá de si o retrato de um bando de trapezistas com rédea solta.
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