Blog

Opinião Colunistas Blog

Valia a pena ter ouvido ontem a jornalista Helena Garrido na Rádio Observador a fazer o relato da sua experiência no parlamento, onde assistiu ao debate do Estado da Nação, depois de um ano de ausência daquelas bancadas: o ruído ensurdecedor, os apartes e piadas durante o discurso do PM, as graçolas de bancada para bancada, a desatenção generalizada, a estupefação nas galerias onde não se conseguiam ouvir as intervenções. A descrição não faz justiça àquela algazarra adolescente que é o sinal doentio da falta de elevação e decoro que devia existir na “casa da democracia” onde deputados e ministros, aos gritos, se acusam de mentir, como se mentir ou assobiar fossem práticas acessíveis e comuns no parlamento. As velhas oligarquias da solenidade foram substituídas pelas novas oligarquias da barulheira, do analfabetismo e da agressividade. Num país em que os cidadãos se sentem cada vez mais desprotegidos, o parlamento dá de si o retrato de um bando de trapezistas com rédea solta.

De mal a pior

Opinião Colunistas Nação Valente

Teremos hoje as notas dos exames? Talvez não, admitiu o ministro, que não consegue arranjar professores para as correcções derradeiras. Pobre Fernando Alexandre. O processo de digitalização foi imprudente e caótico - e as primeiras reacções do ministro também. Mas depois, com a humildade própria dos homens inteligentes, lá vieram as desculpas e os pedidos de ajuda aos professores.

Lobo com pele de nacionalista misógino

Opinião Colunistas Sónia Dias

O bicho papão tem nome. Chama-se Doug Wilson, é pastor (daqueles de ovelhas humanas) e mentor espiritual de Pete Hegseth (do nanico espiritual que este possa ter...). O secretário da Guerra do governo de Trump até já o convidou para dar sermões na Casa Branca, o epicentro da crescente influência do nacionalismo cristão na vida americana. Numa entrevista recente, Wilson, que não separa o Estado da Igreja, defende a revogação da 19.ª Emenda, retirando o direito das mulheres ao voto. Uma coisa sobre a qual é muito honesto é que quem não se enquadra na sua visão cristã, também não tem lugar na sua visão de Governo, referindo-se a mulheres solteiras, muçulmanos, pessoas LGBTQ+ e, principalmente, pessoas negras. É claro que o mais importante não é no que Wilson acredita, mas o facto de as suas premissas patriarcais estarem a ganhar popularidade entre homens e mulheres (sim, mulheres...) em Washington a um ritmo alarmante - a sua congregação cresceu 150% desde que Trump assumiu a presidência. As ideias podem ser extremas e mudar leis é difícil, mas nada é impossível com estes loucos no poder. Vejam ‘The Handmaid’s Tale’ para perceberem do que estou a falar.

Mataram o "homem do Mundial"

Opinião Colunistas José Jorge Letria

O homem era um trabalhador humanitário que admirava a Seleccão do Egipto e que proporcionou a muitos milhares de palestinianos a possibilidade sempre precária de verem jogos do Mundial. Morreu durante um ataque israelita que destruiu o táxi em que viajava.

O céu não é o limite

Opinião Colunistas

O relógio já ultrapassava, e por muito, a minha hora de dormir, mas o frenesim afugentava-me o sono. Sabia que era um dia especial, ainda que não tivesse consciência de que ficaria guardado desta forma na memória, nem de que seria o ponto de partida para um dos passos mais impressionantes que a humanidade daria nas décadas seguintes. Tinha uns oito anos, mas vivia o acontecimento como se fizesse parte da própria missão. E assim, diante de um daqueles televisores a preto e branco que mais pareciam uma caixa, aguardava, eufórico, por notícias do Apollo 11.

O Estreito

Opinião Colunistas

Afigura-se que o Memorando de Entendimento destinado a facilitar um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão não logrou obter os resultados desejados. As dificuldades de interpretação, a disparidade de objetivos estratégicos e o desconhecimento das realidades no terreno esvaziaram a sua negociação. Acrescente-se que, pela ânsia de obter resultados imediatos, foi percetível um certo amadorismo diplomático na condução dessas negociações. Para Teerão era fundamental recuperar a liderança regional e o desafogo financeiro que resultaria da saída das forças norte-americanas da região. Para Washington tratava-se de controlar o mercado dos combustíveis assegurando a tradicional liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os vários “encerramentos” do Estreito ilustram a distância que separava os respetivos objetivos.

Os bons, os maus e os vilões

Opinião Colunistas Pedro Santana Lopes

É verdade que, desde a pandemia, o Mundo entrou num tempo diferente, estranho, complicado. Mas isso não pode explicar tudo.

Icon alerta Registámos a sua denúncia!

Ouvir

Opinião Colunistas Correio da Saúde

Carlos Cortes

Carlos Cortes

Bastonário da Ordem dos Médicos

17 de julho de 2026 às 00:30

A Democracia vive da palavra. Da capacidade de a sociedade civil participar, criticar, propor e alertar. Da responsabilidade dos Governos em decidir, assumindo escolhas e consequências. Este equilíbrio é o coração do contrato democrático.

Selecção Martinez diz adeus e desaparece

Opinião Colunistas

Hugo Soares disse que Montenegro ia às Américas ver a bola por ser “amuleto da sorte” da Selecção, mas afinal foi um 1-X-2 de preço elevadíssimo e totalmente inútil. Montenegro imitou Costa e outros governantes e Marcelo da pior maneira possível. 

30 anos da CPLP: associação pede comunidade "de cidadãos" e lista dez prioridades para aproximar lusofonia das novas gerações

A associação Conexão Lusófona pediu na quinta-feira, num manifesto, que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) se aproxime das sociedades e dos cidadãos, particularmente das novas gerações.

“Os primeiros trinta anos provaram que era possível construir uma Comunidade de Estados unidos pela Língua Portuguesa. Já os próximos trinta devem provar que somos capazes de construir uma verdadeira Comunidade de Cidadãos da Lusofonia”, declarou a organização no manifesto “30 Anos de CPLP: Da Comunidade de Países à Comunidade de Povos e Cidadãos”, enviado à Lusa.