É das passagens mais intrigantes dos Evangelhos: “Jesus saiu de casa e foi sentar-se à beira-mar.” Olhando para os episódios anteriores, percebemos que não foi fazer praia. Jesus acaba de ter uma discussão familiar. À sua mãe e aos seus irmãos, que o vieram procurar — talvez por acharem que estava louco, talvez por pensarem que já tinha ido longe demais, quase de certeza para o repreender —, afirma que a sua verdadeira família é quem faz a vontade do Pai. Jesus coloca a fidelidade à vontade de Deus acima das tradicionais lealdades dos vínculos familiares. Num mundo extremamente desigual, onde a teologia vigente justificava essa desigualdade, Jesus surpreende ao mostrar que Deus é o Pai não de um grupo exclusivo, mas de todos os povos, de tal modo que todos se podem tornar parte da família de Deus. Na extraordinária expressão bíblica: quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Esta ideia mudaria, para sempre, a história da Humanidade. Mas este texto não é sobre isso.
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