"Os portugueses não querem eleições nem estão disponíveis para pensar nisso"

Opinião Bilhete Postal

Os primeiros resultados do barómetro deste mês da Intercampus, o barómetro de referência nos estudos de opinião, mostra, grosso modo, que a situação política está congelada. O PS mantém-se à frente, apesar de descer ligeiramente, a AD ultrapassa o Chega, dentro do conceito de empate técnico, a direita continua maioritária e os pequenos partidos permanentemente enfraquecidos. A conclusão mais provável é que os portugueses não querem eleições, nem estão muito disponíveis para pensar nisso. Esta ânsia de estabilidade é um dos traços mais marcantes do eleitorado português. Ao longo dos anos, todos os partidos responsáveis por qualquer tipo de instabilidade foram penalizados eleitoralmente. Foi assim que Cavaco chegou à maioria absoluta, depois de ser derrubado pela esquerda. O mesmo aconteceu com Costa, depois de ser apeado pela geringonça. E Montenegro também beneficiou com isso, quando Pedro Nuno Santos derrubou a AD. Ao assistir ao debate do Estado da Nação percebe-se que esta consciência está bem presente em todos os líderes políticos. Numa espécie de jogo de poker, Governo e oposição desafiam-se a apresentar moções de censura ou de confiança. Nem Montenegro nem Ventura morderam o isco. A armadilha da instabilidade é a nossa maior defesa contra a precipitação dos ciclos eleitorais. 

Dever de escrutínio

Opinião Nota Editorial

A ministra da Justiça, Rita Júdice, veio a terreiro defender o seu colega da Administração Interna e inquieta-se  "como alguém pode reagir ou aceitar sem indignação que a sua vida e a sua casa, sem qualquer autorização, seja invadida. Seja por quem for. O direito à informação é importante, o trabalho jornalístico é importante, mas há limites que têm de ser respeitados".

A questão do Emmy e de quem 'indicar'

Opinião Colunistas Luísa Jeremias

Luísa Jeremias

Luísa Jeremias

Diretora da TV Guia/Flash!

17 de julho de 2026 às 00:30

Todos os anos, televisões de todo o Mundo olham para as suas produções e escolhem as que estão habilitadas a concorrer ao Emmy Internacional. O processo é longo e obriga a ter um conhecimento gigante de produção para televisão e tendências atuais. No caso de Portugal, interessa a área de ficção, em particular novela - já que o mercado das séries está dominado por outros países. Já tivemos vencedores na categoria novela no passado: em 2010, António Barreira conseguiu o Emmy para a TVI com ‘Meu Amor’, no ano seguinte foi a vez de Pedro Lopes, com ‘Laços de Sangue’ o levar para a SIC, e em 2018, a novela de Maria João Costa, ‘Ouro Verde’, conseguiu o galardão. E desde então nada. No ano passado - e vários dos últimos - nem à lista final chegámos. O que faz questionar qualidade de produção dos últimos anos. Chegados a 2026, e ainda em fase de seleção, e olhando o panorama em geral de produção, só duas parecem “habilitadas” a entrar nessa competição: ‘Terra Forte’ (TVI) e ‘Páginas da Vida’ (SIC). O que nos faz questionar sobre tudo o resto: desde história a realização e, sobretudo, fotografia. Aqui estaremos para assistir ao que se irá passar. 

Blog

Opinião Colunistas Blog

Valia a pena ter ouvido ontem a jornalista Helena Garrido na Rádio Observador a fazer o relato da sua experiência no parlamento, onde assistiu ao debate do Estado da Nação, depois de um ano de ausência daquelas bancadas: o ruído ensurdecedor, os apartes e piadas durante o discurso do PM, as graçolas de bancada para bancada, a desatenção generalizada, a estupefação nas galerias onde não se conseguiam ouvir as intervenções. A descrição não faz justiça àquela algazarra adolescente que é o sinal doentio da falta de elevação e decoro que devia existir na “casa da democracia” onde deputados e ministros, aos gritos, se acusam de mentir, como se mentir ou assobiar fossem práticas acessíveis e comuns no parlamento. As velhas oligarquias da solenidade foram substituídas pelas novas oligarquias da barulheira, do analfabetismo e da agressividade. Num país em que os cidadãos se sentem cada vez mais desprotegidos, o parlamento dá de si o retrato de um bando de trapezistas com rédea solta.

De mal a pior

Opinião Colunistas Nação Valente

Teremos hoje as notas dos exames? Talvez não, admitiu o ministro, que não consegue arranjar professores para as correcções derradeiras. Pobre Fernando Alexandre. O processo de digitalização foi imprudente e caótico - e as primeiras reacções do ministro também. Mas depois, com a humildade própria dos homens inteligentes, lá vieram as desculpas e os pedidos de ajuda aos professores.

Lobo com pele de nacionalista misógino

Opinião Colunistas Sónia Dias

O bicho papão tem nome. Chama-se Doug Wilson, é pastor (daqueles de ovelhas humanas) e mentor espiritual de Pete Hegseth (do nanico espiritual que este possa ter...). O secretário da Guerra do governo de Trump até já o convidou para dar sermões na Casa Branca, o epicentro da crescente influência do nacionalismo cristão na vida americana. Numa entrevista recente, Wilson, que não separa o Estado da Igreja, defende a revogação da 19.ª Emenda, retirando o direito das mulheres ao voto. Uma coisa sobre a qual é muito honesto é que quem não se enquadra na sua visão cristã, também não tem lugar na sua visão de Governo, referindo-se a mulheres solteiras, muçulmanos, pessoas LGBTQ+ e, principalmente, pessoas negras. É claro que o mais importante não é no que Wilson acredita, mas o facto de as suas premissas patriarcais estarem a ganhar popularidade entre homens e mulheres (sim, mulheres...) em Washington a um ritmo alarmante - a sua congregação cresceu 150% desde que Trump assumiu a presidência. As ideias podem ser extremas e mudar leis é difícil, mas nada é impossível com estes loucos no poder. Vejam ‘The Handmaid’s Tale’ para perceberem do que estou a falar.

Mataram o "homem do Mundial"

Opinião Colunistas José Jorge Letria

O homem era um trabalhador humanitário que admirava a Seleccão do Egipto e que proporcionou a muitos milhares de palestinianos a possibilidade sempre precária de verem jogos do Mundial. Morreu durante um ataque israelita que destruiu o táxi em que viajava.