A automação cognitiva não decide, por si, o nosso destino. Sobrepõe-se aos desequilíbrios estruturais que já tínhamos e amplifica-os consoante a nossa resposta, escreve Carlos Costa.
Há um equívoco que atravessa quase todo o debate público sobre o futuro do trabalho e a transição digital. Perguntamo-nos, obsessivamente, quantos empregos a inteligência artificial vai destruir e se o destino das economias avançadas é dissolverem-se numa vasta economia de serviços. São perguntas mal formuladas. A questão decisiva não é quantos serviços produziremos, nem sequer quantos postos de trabalho mudarão de natureza. É saber que territórios e que empresas passarão a controlar as atividades transacionáveis — incluindo os serviços que a tecnologia tornou comerciáveis à distância — e como se distribuirão os rendimentos que delas resultam.
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