A ‘silly season’ que agora dura o ano inteiro

Opinião Colunistas Luísa Jeremias

Luísa Jeremias

Luísa Jeremias

Diretora da TV Guia/Flash!

07 de agosto de 2026 às 00:30

Não é um tema dos canais generalistas portugueses em TV aberta. Na verdade é uma característica dos países da Europa (sobretudo) do sul, que adoram encher a antena de programas de entretenimento onde se ri de disparates, como numa espécie de ‘Jogos sem Fronteiras’ dos novos tempos, com provas menos audaciosas e, preferencialmente, com presença de rostos conhecidos do grande público. Este ano, ‘Congela’, na TVI, assume atualmente o papel de “entretenimento de ‘silly season’”, destinado à família, assumindo o lugar de clássicos da SIC como ‘Vale Tudo’, recheado de situações hilariantes vividas por rostos conhecidos do canal. Os formatos são maus ? Não, são o que são: entretenimento puro “para todos”. São bem sucedidos? Cumprem, dentro do que é pedido, embora programas como ‘Terra Nossa’, de César Mourão, dentro do género comédia non-sense caia mais nas graças do público. Então está tudo certo? Bom, se pensarmos que este tipo de formato típico de verão está a contagiar as grelhas o ano inteiro... se calhar até está. Mas isso também nos faz pensar se deixou de haver sazonalidade, até na programação da televisão. 

Charlatanismo

Opinião Colunistas Correio da Saúde

Carlos Cortes

Carlos Cortes

Bastonário da Ordem dos Médicos

07 de agosto de 2026 às 00:30

A proliferação de falsos médicos é uma ameaça real à segurança em saúde dos cidadãos. Todos os dias surgem designações que parecem médicas, mas não o são, criando uma ilusão de competência que pode colocar vidas em risco.

Então e agora?

Opinião Colunistas Segurança Ativa

Bruno Pereira

Presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia

07 de agosto de 2026 às 00:30

Esta semana o Correio da Manhã veio anunciar, em primeira mão, a missiva endereçada pelo Presidente da Câmara de Cascais ao Comandante Metropolitano de Lisboa da PSP, dando conta da sua preocupação pela grave carência de recursos policiais no seu território, apelando a um reforço urgente de Polícias face aos inúmeros desafios e necessidades securitárias do concelho, que nesta altura do ano atingem dimensões qualificadas pela afluência massiva de pessoas às praias. Ora, o autarca tem razão em estar preocupado, e tem igualmente razão em manifestar o seu desagrado, estranho que tantos outros não sigam o seu exemplo já que o cenário é, efetivamente, dantesco. O que o mesmo não pode deixar de fazer é pressionar o ministério a fazer mais e melhor do que tem feito, seguindo aliás o diapasão de anteriores ministros que passaram pelo Terreiro do Paço sem deixar um legado, com políticas públicas reformistas assentes num diagnóstico já há muito feito: a PSP está decrepita e sôfrega de recursos. Há pouco mais que as lideranças da maior unidade policial do país possam fazer tendo em conta que em 10 anos perdeu mais de 1000 polícias, continuando, ano após ano, a ser sangrado, sendo, todavia, obrigado a responder a uma área que não para de crescer em desafios e pressões sociais. É bem que o estimado Presidente Nuno Piteira indague o MAI sobre a proposta que a Direção da PSP lhe endereçou recentemente, propondo o encerramento de esquadras como medida limite e urgente para trazer algum fôlego e capacidade gestionário. De outra forma temo que até lá muitas outras esquadras sejam incapazes de assegurar uma resposta mínima, e que muitas urgências fiquem por responder. Eis que faz sentido voltar a perguntar: era mesmo necessário reforçar os aeroportos com quase 400 polícias, descobertando totalmente as unidades territoriais deste país? De que nos serve deixar entrar cada vez mais gente quando depois não temos quem as proteja? 

Julho: TVI com a pior média mensal dos últimos 28 anos

Opinião Colunistas

Manuel Falcão

Diretor-Geral da Nova Expressão

07 de agosto de 2026 às 00:30

Em Julho, RTP 1 e SIC tiveram o melhor share médio mensal de audiências do ano e a TVI teve o pior, que, aliás, foi também o seu pior resultado mensal em 28 anos, apesar da transmissão de jogos do Mundial de Futebol e de jogos de pré-época. Com 14,3%, a SIC liderou, com uma vantagem de 1,9 pontos percentuais sobre a TVI, que teve 12,4%, apenas 0,7% p.p. à frente da RTP 1. A RTP 2 também teve em Julho o melhor mês do ano. No cabo, a CMTV chegou ao fim do mês de Julho a liderar a televisão por cabo, numa sequência de 52 meses sempre na frente das audiências.

O (perigoso) culto do ‘pôs-se a jeito’

Opinião Colunistas Sónia Dias

As forças de segurança registaram um aumento de 13,3% nas participações por violência doméstica entre abril e junho deste ano em Portugal, com mais de 7 800 casos, tendo sido assassinadas sete pessoas no mesmo período: cinco mulheres, uma criança e um homem. Uma subida de quase 2% em comparação com o período homólogo. No total dos seis meses já contabilizados, as estatísticas registam treze pessoas mortas. Entretanto, num universo paralelo que ignora completamente este cenário de terror - ou, melhor dizendo, num videocast chamado ‘The Leite Show’ - uma figura chamada Flávio Furtado conversa com a antiga modelo e apresentadora Liliana Aguiar sobre o episódio de violência doméstica que sofreu às mãos do marido, com quem se reconciliou, e diz isto: “Não se deve agredir ninguém, mas eu lembro-me que num dos vídeos que também me chegou às mãos tu estavas a picar, a picar, a picar... Parece que estavas a provocar para despertar alguma coisa na outra pessoa. Tu és tortinha?”. E assim se eterniza o culto do ‘pôs-se a jeito’, graças a pessoas que caladas seriam poetas e não percebem a gravidade dos disparates que dizem. Enfim, só à chapada!

Os 97 anos de Zeca Afonso

Opinião Colunistas

Uma mão girava devagar a antena do rádio, à procura de uma frequência que teimava e não chegava limpa. Depois de uns abanões, o ruído deu lugar ao som áspero de botas a marcharem sobre gravilha, um compasso seco, quase militar, que parecia sair do próprio chão. Só então entrou a voz. Era a de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que entoava ‘Grândola, Vila Morena’, e o soldado que segurava o aparelho percebeu de imediato o que aquilo significava. O ponteiro do relógio marcava 00h20 do dia 25 de abril de 1974, e aquela canção, que ficaria eternizada como hino revolucionário, dava o sinal que confirmava o avanço para a tomada dos centros de poder do Estado. Cerca de hora e meia antes, ‘E Depois do Adeus’, de Paulo de Carvalho, tinha avisado as tropas para se prepararem.

Portugueses sem multibanco

Opinião Colunistas José Jorge Letria

A falta de acesso de um crescente número de pessoas ao serviço multibanco em diversos pontos do país representa um agravamento objectivo das suas condições de vida, sobretudo quando têm a mobilidade condicionada por problemas de saúde ou pela inexistência de meios de transporte que lhes garantam a mobilidade desejada.

Seguro é como ele quer

Opinião Colunistas Pedro Santana Lopes

E não como outros querem que seja.

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Uma santa de altar

Opinião Colunistas A bem da noção

Cada vez mais, o algoritmo tudo sabe sobre nós. Em poucos segundos, tira-nos a ficha. Nada que não houvesse já em campanhas à americana. "Arranja-me aí uns podres sobre este gajo." Só que agora é mais fácil, mais rápido, mais limpinho. Está difícil evitar as teorias da conspiração, quando até os unicórnios parecem conspirar a nosso desfavor.

Zapping

Opinião Colunistas

Daniel Oliveira

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